PARTE II — A FILOSOFIA DO ORIGEM
3. Não é sobre se tornar. É sobre retornar.
Essa é uma das principais expressões filosóficas do Método Origem.
A sociedade contemporânea apresenta constantemente a ideia de que precisamos nos transformar em alguém melhor, alcançar uma nova versão, desenvolver novas habilidades e conquistar uma identidade mais bem-sucedida.
O Origem propõe uma reflexão anterior a esse movimento:
E se, antes de tentar nos tornar alguém, precisássemos reconhecer aquilo de que nos afastamos?
Ao longo da vida, construímos identidades a partir de experiências, relações, expectativas e necessidades de adaptação.
Aprendemos a agradar para sermos aceitos.
A nos calar para evitar conflitos.
A esconder nossas capacidades para não incomodar.
A buscar aprovação para nos sentirmos seguros.
A assumir responsabilidades que nem sempre nos pertencem.
A diminuir nossos desejos para caber nas expectativas de outras pessoas.
A vida vai acrescentando camadas à nossa identidade.
Algumas ampliam nossas possibilidades. Outras podem nos afastar de valores, potenciais, desejos e características que reconhecemos como essenciais.
O retorno proposto pelo Origem consiste em investigar essas camadas, reconhecer o que queremos preservar, transformar ou deixar para trás e recuperar a possibilidade de escolher conscientemente quem desejamos nos tornar.
Retornar não significa regredir. Significa voltar a si para avançar com consciência.
3.1. Essência e identidade
O Método Origem trabalha com uma distinção importante:
Essência: representa aquilo que reconhecemos como fundamental em nós. Nossa dignidade, valores, potenciais, virtudes, inclinações e capacidade de consciência e escolha.
Identidade: representa a maneira como nos reconhecemos, nos posicionamos e nos expressamos no mundo, construída ao longo da vida por meio de experiências, relações, aprendizados e escolhas.
A identidade pode ser revisitada e reconstruída conscientemente.
A essência, dentro da visão filosófica e espiritual do método, representa um fundamento que não precisa ser inventado ou conquistado.
Por isso:
Retornamos à essência para reconstruir conscientemente nossa identidade.
Não se trata de apagar a própria história, mas de deixar de permitir que toda a história determine o futuro.
4. Os fundamentos filosóficos
O pensamento do Origem pode ser organizado em seis movimentos:
SOMOS
Existe em cada pessoa uma dimensão essencial, com dignidade, valores, potenciais e possibilidades.
Na visão espiritual que fundamenta o método, somos criação divina e herdeiros de uma dignidade que não depende de desempenho, aprovação ou conquistas externas.
APRENDEMOS
Ao longo da vida, aprendemos formas de pensar, sentir, agir, pertencer, amar, trabalhar e nos proteger.
Família, cultura, sociedade, experiências e relações participam da construção da identidade.
CONFUNDIMOS
Podemos confundir adaptações com identidade.
Passamos a acreditar que somos aquilo que precisamos fazer para sermos amados, aceitos, reconhecidos ou protegidos.
RETORNAMOS
Olhamos para nossa história, identificamos padrões e reconhecemos aquilo que desejamos resgatar, transformar ou deixar para trás.
ESCOLHEMOS
Recuperamos a capacidade de participar conscientemente das nossas decisões, em vez de apenas reagir às antigas referências.
CONSTRUÍMOS
A partir desse novo lugar, desenvolvemos uma identidade mais consciente e construímos uma vida mais coerente com nossos valores e desejos.
Somos → Aprendemos → Confundimos → Retornamos → Escolhemos → Construímos.
Esse encadeamento representa a filosofia que sustenta a metodologia.