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PARTE 02 DE 15 · 3 MIN DE LEITURA

A FILOSOFIA DO ORIGEM

PARTE II — A FILOSOFIA DO ORIGEM

3. Não é sobre se tornar. É sobre retornar.

Essa é uma das principais expressões filosóficas do Método Origem.

A sociedade contemporânea apresenta constantemente a ideia de que precisamos nos transformar em alguém melhor, alcançar uma nova versão, desenvolver novas habilidades e conquistar uma identidade mais bem-sucedida.

O Origem propõe uma reflexão anterior a esse movimento:

E se, antes de tentar nos tornar alguém, precisássemos reconhecer aquilo de que nos afastamos?

Ao longo da vida, construímos identidades a partir de experiências, relações, expectativas e necessidades de adaptação.

Aprendemos a agradar para sermos aceitos.

A nos calar para evitar conflitos.

A esconder nossas capacidades para não incomodar.

A buscar aprovação para nos sentirmos seguros.

A assumir responsabilidades que nem sempre nos pertencem.

A diminuir nossos desejos para caber nas expectativas de outras pessoas.

A vida vai acrescentando camadas à nossa identidade.

Algumas ampliam nossas possibilidades. Outras podem nos afastar de valores, potenciais, desejos e características que reconhecemos como essenciais.

O retorno proposto pelo Origem consiste em investigar essas camadas, reconhecer o que queremos preservar, transformar ou deixar para trás e recuperar a possibilidade de escolher conscientemente quem desejamos nos tornar.

Retornar não significa regredir. Significa voltar a si para avançar com consciência.

3.1. Essência e identidade

O Método Origem trabalha com uma distinção importante:

Essência: representa aquilo que reconhecemos como fundamental em nós. Nossa dignidade, valores, potenciais, virtudes, inclinações e capacidade de consciência e escolha.

Identidade: representa a maneira como nos reconhecemos, nos posicionamos e nos expressamos no mundo, construída ao longo da vida por meio de experiências, relações, aprendizados e escolhas.

A identidade pode ser revisitada e reconstruída conscientemente.

A essência, dentro da visão filosófica e espiritual do método, representa um fundamento que não precisa ser inventado ou conquistado.

Por isso:

Retornamos à essência para reconstruir conscientemente nossa identidade.

Não se trata de apagar a própria história, mas de deixar de permitir que toda a história determine o futuro.

4. Os fundamentos filosóficos

O pensamento do Origem pode ser organizado em seis movimentos:

SOMOS

Existe em cada pessoa uma dimensão essencial, com dignidade, valores, potenciais e possibilidades.

Na visão espiritual que fundamenta o método, somos criação divina e herdeiros de uma dignidade que não depende de desempenho, aprovação ou conquistas externas.

APRENDEMOS

Ao longo da vida, aprendemos formas de pensar, sentir, agir, pertencer, amar, trabalhar e nos proteger.

Família, cultura, sociedade, experiências e relações participam da construção da identidade.

CONFUNDIMOS

Podemos confundir adaptações com identidade.

Passamos a acreditar que somos aquilo que precisamos fazer para sermos amados, aceitos, reconhecidos ou protegidos.

RETORNAMOS

Olhamos para nossa história, identificamos padrões e reconhecemos aquilo que desejamos resgatar, transformar ou deixar para trás.

ESCOLHEMOS

Recuperamos a capacidade de participar conscientemente das nossas decisões, em vez de apenas reagir às antigas referências.

CONSTRUÍMOS

A partir desse novo lugar, desenvolvemos uma identidade mais consciente e construímos uma vida mais coerente com nossos valores e desejos.

Somos → Aprendemos → Confundimos → Retornamos → Escolhemos → Construímos.

Esse encadeamento representa a filosofia que sustenta a metodologia.